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Biografia de Tito Madi

Tito Madi que chegou ao sucesso nacional nos anos 50, cantando composições suas de uma forma terna, suave, com uma afinação irrepreensível, sem trejeitos nem cacoetes que teve os seus precursores e que entra, ele mesmo, como precursor da Bossa Nova, estilo que estouraria nacional e internacionalmente, orgulha-se de preservar, até os dias atuais, um ritmo que ajudou a criar, o samba canção.

Chauki Maddi, de nome artístico Tito Madi (Pirajuí, 12 de julho de 1929) é um cantor e compositor brasileiro descendente de libaneses que fez sucesso na década de 1950 com "Chove lá fora", gravada em 1957, a música ganhou até versão em inglês, "It´s Raining Outside", nas vozes dos grupos Della Reese e The Platters.

Em seu lançamento na América vendem mais de 1 milhão de cópias. Tito chegou inclusive a ser convidado a participar de uma temporada de seis meses com The Platters através da Europa, mas por insegurança acabou recusando. Até hoje ele lamenta esse fato.

Vendeu mais de 100 mil cópias e foi destaque na programação das rádios de todo o país. Com esse sucesso, ganhou os prêmios mais importantes da época, como os troféus Guarani e Chico Viola.

Teve músicas gravadas por grandes nomes da MPB. Nascido em Pirajuí, região Noroeste do Estado de São Paulo, é o filho mais ilustre do município, do qual recebe constantes homenagens. Tito é colunista no semanário local, O Alfinete.

Em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, há uma rua que recebeu o seu nome, em justa homenagem.

Tito Madi cresceu em um ambiente musical, ouvindo o alaúde de seu pai e o violão e o bandolim de seus irmãos mais velhos. Essa influência fez com que aos dez anos Tito já cantasse em festas da escola.

Sua fase de compositor começou no final da década de 40. Dedicava-se, também, a organizar shows e eventos. Em 1952 mudou-se para São Paulo, indo trabalhar em rádio e televisão, trabalhou na TV Tupi, inaugurada em 1950. Tito Madi ingressou na TV no início e, segundo o cantor, a responsabilidade era muito grande, pois não havia a facilidade técnica do "mundo moderno".

"Tudo era feito ao vivo, era mais emocionante do que hoje pois eu tinha que cantar sem errar, a responsabilidade era muito maior" disse Tito.

Criador dos primeiros alto-falantes de sua cidade natal, Tito Madi trabalhou muitos anos em rádio, como locutor e até como redator de textos publicitários. Conserva até hoje a voz melodiosa transmitida pelas rádios de antigamente. Mas trocou o violão pelo acompanhamento de um piano, tocado pelo seu companheiro das noites cariocas, Haroldo Goldfarb.

E deixou de lado a poesia romântica de Castro Alves e Gonçalves Dias para escrever sua própria, devidamente musicada. "Comecei a tocar violão mal, mas me tornei o melhor da cidade porque não tinha ninguém que tocava mesmo", ironiza.

Em São Paulo permaneceu até 1954, quando veio para o Rio de Janeiro. Surpreendentemente, formou-se professor primário antes de sair de Pirajuí, aos 20 anos. Seguiu para Cornélio Procópio, no Paraná, para lecionar matemática por indicação de um amigo. Mas um carro quebrado que não conseguiu chegar ao seu destino mudou a vida de Tito Madi, que desistiu da carreira acadêmica antes mesmo de entrar na sala de aula. "Comecei a pensar o que eu queria fazer da minha vida e fui para o Rio".

Assim que Tito resolveu vir para o Rio de Janeiro, em 1955, um amigo lhe perguntou quanto tempo pretendia ficar na cidade.

O compositor, que tinha feito um empréstimo de quatro mil cruzeiros, respondeu que ficaria quatro mil cruzeiros!. Então esse amigo lhe emprestou a chave de um apartamento em Copacabana. Para o cantor foi uma sorte muito grande, coisa do destino.

Embora tenha morado em Ipanema, Leblon e Leme, Tito revela que é muito difícil sair de Copa porque tem um carinho todo especial pelo bairro.

Chegando no Rio, Tito Madi já fazia sucesso como cantor e compositor em São Paulo. Sua música "Não Diga Não" já estava entre as mais tocadas da "cidade da garoa".

"Eu senti a necessidade de vir pra cá, pois o Rio era, e continua sendo, o centro cultural, enquanto São Paulo é o centro comercial do País. Naquela época, os cantores do Rio iam para São Paulo e já eram conhecidos, o contrário não acontecia" - conta o compositor.

Tito Madi conta que sua sorte foi ter caído na noite. O cantor conheceu Gilvan Chaves, um compositor que tinha vindo do Recife na mesma época em que ele viera de São Paulo.

"Gilvan trabalhava na noite, então pedi que me arrumasse uma casa para cantar. Foi quando ele falou que onde trabalhava estavam precisando de cantor. Na mesma noite fui até lá, era em frente ao Cangaceiro, procurei o pianista Tom Albibi, gerente da casa. Assim que me apresentei, o Albibi pediu que eu cantasse para um casal que estava em uma mesa no fundo do bar. Eu ainda não tinha um repertório para a noite carioca, apenas algumas músicas compostas como a "Não Diga Não", então comecei a cantar aquilo que eu sabia.

A mulher era uma francesa, o homem também parecia ter um sotaque estrangeiro, os dois começaram a me perguntar se eu cantava tal música, e eu respondia não senhor; e tal música? E eu respondia: não senhora e isso aconteceu várias vezes... Voltei ao Albibi e disse que não havia agradado muito, ele me respondeu rindo: não se preocupe ela é a dona da casa mas quem resolve tudo aqui sou eu e você já está contratado", relembra Tito Madi.

O cantor chegou com uma carta de apresentação de um dos grandes diretores da TV Tupi de São Paulo, Teófilo de Barros.

"Aqui eu conhecia, mais ou menos, o J. Antônio D'Avilla, que percebeu o meu sucesso e resolveu me contratar. Comecei a cantar na Rádio Tupi. Eu e um amigo tínhamos um programa chamado "Dois amigos e um violão" e, na TV, eu fazia também um outro programa que se chamava Serestas."

Tito Madi conta que ganhava na Tupi uma média de quatro mil cruzeiros, e nas boates passou a ganhar 300 cruzeiros por noite, fazendo quase dez mil por mês.

Tito começou a aprender outros repertórios, na época o sucesso era "Mulambo". Ele freqüentava o Cangaceiro e lá conheceu Ribamar, pianista, compositor e um dos mais fiéis parceiros de Dolores Duran.

"Ele me ouviu, nós nos conhecíamos pouco, e veio conversar comigo. Contou que trabalhava no Jiral e me chamou para trabalhar com ele. Eu fui. O Jiral era um bar muito freqüentado pela classe teatral, comecei a cantar com o Ribamar e ganhei muita projeção.

Foi lá que lancei duas músicas inéditas, a "Chove Lá Fora" e "Fracasso de Amor". Essas músicas fizeram muito sucesso, eu cantava em média 15 vezes por noite".

A escolha, acertada, trouxe o sucesso para Tito. Precursor da Bossa Nova, o compositor foi o ídolo de nomes como Roberto Menescal, que ia assistir aos seus shows no Scotch Bar, em Copacabana.

Menor de idade, Menescal contava com a cumplicidade de um garçom amigo e tinha que se esconder quando chegava a fiscalização. "Ele ficava num cantinho e ia todas as noites me ouvir", conta Tito.

Em 1957 teve, finalmente, seu trabalho reconhecido. Tito ganhou notoriedade e lugar definitivo no cenário musical, a partir do sucesso da composição: "Chove Lá Fora".

Em 1957, Tito Madi ganhou o título de melhor compositor do Brasil, teve medalhas colocadas no peito por Jucelino Kubitschek e ganhou vários prêmios de revistas e jornais.

Na década de 60, quando a música brasileira, especialmente a romântica, estava em baixa, a Bossa Nova quase "matou" o Samba Canção.

"As pessoas ouvem algumas músicas achando que é Bossa Nova e na realidade é Samba Canção. Eu canto Samba Canção e fazia sucesso antes do início da Bossa Nova. Fui convidado pelo Menescal para fazer parte deste grupo mas eu já tinha o meu caminho. Na verdade eles não pensavam em criar a Bossa Nova, foi uma turma que se reuniu. Eram jovens, o tempo foi passando, e quando citavam a Música Popular Brasileira, citavam também a "Bossa Nova" e diziam que eu fazia parte, sendo um dos precursores, o que não é verdade." - esclarece o compositor.

Seja como cantor, interpretando apenas outros compositores ou como autor, sempre agradou ao seu público e sempre obteve, por parte da crítica, o merecido reconhecimento.

Com mais de trezentas músicas gravadas no Brasil e no exterior. Tito Madi sempre foi conhecido como um artista que não se deixa levar pelas manobras da máquina da música comercial.

Tito Madi teve grande influência sobre a Bossa Nova com seus sambas-canções de harmonização moderna. Alguns de seus sucessos foram: "Cansei de Ilusões", "Sonho e Saudade", "Carinho e Amor" "Não Diga Não", "Balanço Zona Sul".

Apesar de considerar um erro não integrar o grupo da Bossa Nova, Tito afirma que permanece fiel aos seus princípios e não abandona o bom e velho samba canção, ritmo que o consagrou. O compositor contabiliza aproximadamente 300 músicas, 56 anos de carreira e muitas histórias para contar. Algumas delas, inclusive, Tito Madi conta durante os shows que faz.

Em homenagem promovida pelo projeto Música Popular Paulista, do Departamento Cultural da Associação Paulista de Medicina - APM, em 2006, além das mais de 20 músicas, interpretadas de forma sóbria e incrivelmente lúcida. Ovacionado pelo público, ele canta o bis. E ficaria no palco pelo resto da noite, não fossem as limitações físicas de um cantor extasiado pela consagração.

Para selar a noite, Tito recebe uma placa em homenagem à sua contribuição para a música brasileira. Rui Telles Pereira, membro do Conselho Cultural da APM, entrega o presente. E afirma que já era fã do cantor aos 15 anos, quando colecionava singles em pequenos vinis.

O cantor agradece, brinca com a idade e diz: "sou mais velho que esta entidade. Tenho 76, a APM tem 75. Sou diabético e tenho três pontes de safena. Mas acho que, ao menos por hoje, estou a salvo de qualquer infortúnio. Porque nunca cantei para tantos médicos juntos. É uma honra", finaliza.

Tito perdeu a conta das propostas que recebeu para fazer discos com aquelas mesmas músicas que regravou pelo menos umas dez vezes cada. "Mas tenho que fazer alguma coisa a mais desses anos que me restam", diz.

No que o coração deixa, vai fazendo seus shows: "Não dá mais para fazer de segunda a sábado, como eu costumava fazer. Mas também acho pouco cantar só quinta, sexta e sábado." Infelizmente, há um fato inexorável jogando contra o seu entusiasmo: "Meus fãs fiéis não saem mais tanto à noite..."

"Eu canto e faço música à maneira da bossa, admiro todos eles, gosto de bossa nova, mas não vou vestir uma camisa, como muitos fazem forçando uma barra. Eu não sou bossa nova somente porque não freqüentei o grupo".

Assim que lançou seu primeiro disco, em 78 rotações, Tito viu seu nome brilhar mais ainda.

"O primeiro disco é como um parto: é emocionante. Depois de meses aquilo acontece e você escuta nas rádios, nas lojas, nas casas... Hoje eu estou produzindo um CD, que não é totalmente independente, mas é produção minha e estou financiando. Chama-se "Ilhas Cristais", nome também de uma das músicas inéditas do disco que em breve estará nas lojas" - finaliza entusiasmado Tito Madi.