Vai E Vem do Carreiro

Carlos Cezar e Cristiano

Carreiro vai... carreiro vem Beirando matas, cordilheiras, campos e espigões Na estrada azul dos matagais lhe acompanham passarinhos vindos dos sertões No peito seu, eu sei que tem seis bois puxando o carro triste do seu coração É a saudade, emparelhada com a lembrança o amor, a esperança, desespero e solidão. Carreiro vai... carreiro vem, rodando só pelo sertão cantando assim: Carreiro vai... carreiro vem, na sua estrada de paixão que não tem fim. Carreiro vai... carreiro vem para bem longe do filhinho que ficou no lar bem cedo sai e a tarde vem deitar nos braços de Chiquinha sempre a lhe esperar Solta seus bois lá no curral quando no morro surge o claro raio de luar Pega na viola pra cantar sua poesia quando fora a brisa fria vem com ele duetar. Carreiro vai... carreiro vem, rodando só pelo sertão cantando assim: Carreiro vai... carreiro vem, na sua estrada de paixão que não tem fim. No vai e vem, que o mundo dá vai o seu rastro rabiscando pedras e areiões Dois riscos só deixa no pó, e o orvalho tremulando sobre mil botões Igual o sol passa por nós e a tarde deita no poente para repousar solta a boiada de estrelas cintilantes, ruminando lá distante pelos campos do luar. Carreiro vai... carreiro vem, rodando só pelo sertão cantando assim: Carreiro vai... carreiro vem, na sua estrada de paixão que não tem fim.

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