Bolicho

Cenair Maicá

No balcão cheiro de risos de taboa velha riscada Maço de palha e o fumo numa estopa remangada Poeirada, muita cachaça e alguma rusga entaipada. O rádio que se desmancha num tangaço de Gardel Peça de chita floreada, renda, alpargata e pastel. E um gato velho brasino que a cuscada dá quartel. Bolicho beira-de-estrada, na solidão da campanha Onde o índio solitário afoga as mágoas na canha. Morada dos cruzadores, onde o andejo sem rumo Busca na canha e no fumo matar saudades de amores. Lá fora a tava que sobe, cá dentro trago que desce A goela da oito baixos canta até o que não conhece. Um truco bem orelhado desde segunda amanhece. Ninguém passa sem chegar no bolicho beira-estrada E o bolicheiro alarife tem a cara preparada, Às vezes sua livreta cobra quem não comprou nada.

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  • Pampero Pampero 4/13/2010 9:33:23 PM Outra obra-prima de Cenair Maicá, que descreve como ninguém o ambiente de um legítimo Bolicho de campanha, onde se vende de tudo e, ao mesmo tempo, serve como ponto de encontro para se jogar truco, jogo-do-osso e se escutar uma gaitinha de oito baixos tocando "até o que não conhece". ✏ responder