Poeira

Fagner

O carro de boi lá vai gemendo lá num estradão Suas grandes rodas fazendo profundas marcas no chão Vai levantando poeira, poeira vermelha, poeira Poeira do sertão Olha seu moço a boiada, em busca dum ribeirão Vai mugindo e vai ruminando, cabeças em confusão Vai levantando poeira, poeira vermelha, poeira Poeira do meu sertão Olha só o boiadeiro montado em seu alazão Conduzindo toda a boiada com seu berrante na mão Seu rosto é só poeira, poeira vermelha, poeira Poeira do meu sertão Barulho de trovoada coriscos em profusão A chuva caindo em cascata na terra fofa do chão Virando em lama poeira, poeira vermelha, poeira Poeira do meu sertão Poeira entra em meus olhos, não fico zangado não Pois sei que quando eu morrer meu corpo vai para o chão Se transformar em poeira, poeira vermelha, poeira Poeira do meu sertão, poeira do meu sertão, poeira Poeira do meu sertão

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