De Boas Vindas

Luiz Marenco

Estendi de novo o meu olhar de boas vindas Até onde essa solidão dava horizonte Larguei pro campo o meu gateado, lombo suado Ando cismado, de alma distante, desde "antonte" A voz do fogo falou de novo no meu galpão Mimando a cambona pra um mate novo recém cevado Recuerdos meus, desses antigos feito tapera Tavam na espera cuidando um sonho ensimesmado Vai pelo tempo o que a alma sente em dizer nada Onde rumo e estrada nem sempre são o mesmo caminho Tem tanta coisa que além dos olhos nos deixa triste Que o sonho insiste em achar seu rumo mesmo sozinho Quem sabe a alma desta fronteira vá mais além Porteira aberta pra os rumos tantos que a vida mostra A vida é assim, nos põe na cruz de uma encruzilhada Pra escolher a estrada e buscar aquilo que mais se gosta Um dia a sorte reponta todos os cavalos mansos E um olhar de campo escolhe um bueno pra se encilhar Porque a gente passa a vida inteira por ir embora Depois não vê a hora e o quanto é tarde pra se voltar E o mesmo olhar de boas vindas vai cuidar ao longe Nos esperando pra um mate novo, noutra volteada Depois que o sonho achar seu rumo por sua conta E voltar na ponta, num pingo bueno pra contar a estrada

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