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O Caçador

Luiz Gonzaga

Tudo é começo Madrugada, alvorecer A vida inteira já começa a renascer Mas que contraste Faz um tiro de espingarda Guarda incerteza Malvadeza, que tristeza É por certo um caçador O das aves, matador Que dormiu numa tocaia A esperar que caia Inocente a juriti Pobrezinha nesta vida Tão cedo pra bebida Vuou, nunca mais voltou Que sol bonito Infinito é o viver Quantas rolinhas, ribançãns pra gente ver Quase em segredo Cantam um canto de arremedo E logo um tiro Tão certeiro, traiçoeiro É por certo um caçador Pra matar, arremedou Rola-branca ou cascavel Pra ele é mais troféu Do que carne pra comer Nem a miúda cafofa Só tinha quase pena Quanta pena ela deixou Sol poente a Asa Branca Vem também beber e vai morrer Morre assim tanta beleza Que Deus por natureza Deixou lá no sertão ôô... Foi pro certo um caçador De caçar não se cansou Mas, se assim continuar Só resta pra matar Atirar na solidão } bis

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