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Fim do Zé Carreiro

Ado Benatti

amação:
Conheci há muito tempo
o caboclo Zé Carreiro
Não tinha nenhum amigo,
no sertão do ingazeiro
caboclo sem religião, e seu Deus era o dinheiro.
Todo povo se benzia quando via o Zé Carreiro.

Numa sexta feira santa/ Quando a procissão saiu
O povo todo chorou/ Zé Carreiro inté se riu
O malvado era descrente/ quis fazer um desafio
Botou a boiada no carro/ E a procissão seguiu

Mas veio uma tempestade/ Foi a sua perdição
Depois de andar duas léguas/ O carro foi num grotão
A boiada se encolheu/ Com o estrondo do trovão
Zé Carreiro blasfemou/ No meio da escuridão

Por ser um homem malvado/ Caboclo sem religião
Dava pancada nos bois/ E xuxava de ferrão
Foi tirando a garrucha/ E baleando as criação
Quando um boi deu uma chifrada/ E arrancou o coração

Ai a chuva aumentou/ Que parecia um tufão
Um raio riscou o céu/ E brilhou na escuridão
Quando a faísca caiu/ No estrondo do trovão
Fulminou toda a boiada/ Que conhecia o grotão

Até hoje os viajantes/ Que passar naquela estrada
Vê uma velha sepultura/ Uma cruz abandonada
Na noite de sexta feira/ Tem ali alma penada
Gemendo na sepultura/ E gritando com a boiada.


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