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Biografia de Banda Azul

A BANDA AZUL, considerada os Dinossauros do Gospel Rock Nacional, fundada em Belo Horizonte por Jamires Magalhães Manso, contou inicialmente com a participação de Janires, como vocalista, Guilherme Praxedes (teclados), Moisés di Sousa no baixo e vocal, além de Dudu Batera (bateria) e Du Guita (guitarra).

Janires Magalhães Manso foi um cantor de música gospel com início de carreira no fim da década de 1970. Fundou a banda Rebanhão em São Paulo, no ano de 1979. Um ano depois se mudou para o Rio de Janeiro, onde formou um novo grupo, mas que permaneceu com o mesmo nome. Após gravar quatro discos com o Rebanhão, Janires deixou a banda em 1984 e foi para Belo Horizonte, lugar onde conheceu um novo time de músicos e juntamente com eles formou a Banda Azul.

Jamires fundador da banda Rebanhão em São Paulo e Rio de Janeiro, depois da banda Azul em Belo Horizonte. Conhecido pelas idéias a frentes de sua época, revolucionou o meio gospel introduzindo outros estilos de canções que até então eram modernas para época. Ele marcou a música cristã brasileira. Foi um dos protagonistas da revolução estética musical ocorrida nos anos 80. Um exemplo de alguém que permitiu Deus ser glorificado através de sua vida.

A música de Janires revelava influências de Zé Rodrix, Taiguara, Ivan Lins, 14 Bis, Raimundo Fagner, Gonzaguinha, Mutantes, para não falar de Pink Floyd, Beatles, Genesis e tantos outros que naturalmente influenciaram a nossa geração. Até então, nas igrejas cantavam-se os hinos dos hinários tradicionais. O órgão e o piano eram os instrumentos permitidos. O violão acabava de conquistar sua posição nos meios jovens. Guitarra, baixo, sintetizador e bateria? Proibidos na grande maioria das igrejas.

Vencedores Por Cristo, Semente, Elo, Logos, Jovens da Verdade e alguns outros grupos de expressão foram os embaixadores da nova música evangélica, introduzindo com sabedoria e maestria uma nova concepção musical.

Janires foi um dos mais importantes representantes da segunda fase desta renovação musical. Falava das coisas comuns da vida. Ironizava os políticos corruptos, os comerciais da TV, parodiava filmes e novelas, falava das realidades, de sonhos, fracassos e frustrações, do pecado e da miséria resultante, para apresentar, em fulgurante contraste, a estonteante luz, a estupenda graça e a infinita paz de Jesus Cristo, que transformou a sua vida, de um quase marginal e presidiário, em um homem livre para viver a plenitude de uma vida totalmente regenerada.

Janires era fervorosamente apaixonado por Jesus. Ele tinha visto a miséria de perto. Desde cedo aprendera a conviver com a marginalidade em Brasília. Ganhava a vida como músico; logo se envolveu com as drogas, e o tráfico acabou se tornando um meio de vida. Preso em flagrante, talvez por ser primário, foi transferido para o Desfio Jovem de Brasília, onde teve contato com o Evangelho de Jesus Cristo. Ele não contava muitos detalhes dessa época, mas que tinha um coração ainda muito duro e abandonou a fé e voltou para as drogas. Algum tempo depois, agora já em São Paulo, ficou internado no Desafio Jovem, onde finalmente rendeu-se aos pés do Senhor Jesus.

Jamires sabia que ele não fizera nada de bom na vida para merecer que alguém morresse por ele. Quando entendeu que o próprio Filho de Deus morrera por gente como ele, não teve outro recurso que não entregar-se com todas as suas forças a Jesus.
Desde então ele descobrira o amor de Jesus, e se apaixonara por Ele, a ponto de dedicar a sua vida somente para Ele. Janires era homem de oração. Sentia as dores dos que sofriam com as drogas, com o abandono, com a miséria, com a falta de perspectiva.

Ele considerava-se totalmente dependente da graça de Deus. Dedicava grande parte do seu tempo ao jejum, à oração e ao estudo da Bíblia. Gastava tempo prostrado diante de Deus, intercedendo pelas pessoas ao seu redor. Janires não era um homem comum. Ele não se preocupava em casar, constituir família, arrumar um bom emprego, comprar isso ou aquilo, essas coisas que têm tanta importância para nós. Vivia do que produzia. Sua música, seu artesanato: camisetas e impressos em silk-screen. Frequentemente recebia ofertas, às vezes muito boas, mas sempre achava alguém que precisasse mais do que ele daquele dinheiro. Assim como recebia, dava generosamente.

Tinha um impressionante domínio do público. Falava para quarenta mil pessoas com a mesma facilidade com que apresentava Jesus em um diálogo pessoal. Todas as suas apresentações seguiam uma lógica. A seqüência das músicas que cantava era concluída com uma prédica inteligente, poderosa e inspirada, totalmente bíblica, cheia de analogias culturais e temporais que prendiam a atenção dos ouvintes para o ponto central: a confrontação com a realidade de Jesus Cristo!

De bens materiais Jamires não deixou muita coisa, além da velha bolsa e do violão Ovation. Mas um imenso legado, de vidas transformadas pelo seu testemunho e pelo seu exemplo, e pelas mudanças que imprimiu na história da música evangélica contemporânea.

A Banda Azul destacou-se por mesclar em letras bíblicas vários ritmos, dentre eles o rock, pop, reggae, baião e o funk. O primeiro disco, Espelho nos olhos, foi gravado em 1987. Pouco depois da primeira gravação a Banda Azul perdeu Janires, que morreu em um trágico acidente automobilístico em janeiro de 1988. Em 1988, voltando do RJ para BH, ele sofreu um acidente que culminou na sua morte. O interessante que ele até hoje é lembrado como um dos precursores que desenvolveu a música gospel.

Contudo, a banda continuou fazendo a sua música revolucionária, lançando seu disco no Palácio das Artes, no dia 31 de maio de 1988.

Em pouco tempo a Banda Azul ficou famosa em todo o Brasil e também no exterior. Em 1989, foram à Bolívia e chegaram a gravar um programa especial para a rede de televisão educativa de Cochabamba, além de realizarem espetáculos em La Paz e Santa Cruz de la Sierra. Neste mesmo ano, gravaram o segundo LP, Fim do Túnel.

Em 1994 a Banda Azul fez sua última apresentação na cidade de Araraquara no estado de São Paulo. A banda encerrou suas atividades, mas depois disso seus integrantes chegaram a se reunir três vezes, em ocasiões especiais, sendo uma delas o Mixtocrente, em 2000, no Expominas.

Em 2008, a banda voltou a se reunir e estão em estúdio ensaiando de novo.

Da nova formação(2008) não participam o pastor Moises di Souza e Ruben, que estão desenvolvendo outros trabalhos musicais. O cd Orkut do pastor, cantor e compositor Moises di Souza, relembra o velho e bom rock'n'roll nas novas canções e também nas homenagens prestadas ao poeta Janires e as Bandas Rebanhão e Banda Azul.