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Biografia de Eduardo das Neves

Eduardo das Neves nasceu no Rio de Janeiro, em 1874. Era também conhecido como Palhaço Negro, Diamante Negro e Crioulo Doido. Palhaço de circo, poeta, compositor e principalmente cantor, Eduardo das Neves foi o nosso artista negro mais popular no início do século.

Pai do também compositor Cândido das Neves, deixou modinhas, lundus, cançonetas, sendo de sua autoria os versos em homenagem ao encouraçado Minas Gerais, feitos sobre a melodia da valsa “Vieni sul Mar”, do folclore veneziano.

Aos 21 anos, ingressou como guarda-freios da Estrada de Ferro Central do Brasil, logo sendo demitido por participar de greve, após o que foi trabalhar como soldado do Corpo de Bombeiros, também cedo sendo demitido por usar a farda em festas boêmias dos subúrbios.

Em 1895, começou a aparecer como palhaço de circo, trabalhando para o Circo Pavilhão Internacional, o Teatro Circo François, o Parque Rio Branco e o Teatro do Passeio Público.

Visitou vários estados brasileiros, sempre cantando modinhas de sua autoria, acompanhando-se ao violão. Foi contratado para a Casa Edison juntamente com Cadete, Mário Pinheiro, Baiano e outros, que formaram o primeiro time de artistas a gravar no Brasil.

Muito querido pelo povo, Eduardo das Neves deixou uma série de músicas gravadas, entre elas a homenagem a Santos Dumont, quando este sobrevoou Paris, pilotando o 14-Bis.

O feito de Alberto Santos Dumont, contornando a Torre Eiffel em seu balão n° 6, no dia 19.10.1901, inspirou diversas composições, entre as quais a marcha "A Conquista do Ar", sucesso de 1902, e criação de Eduardo das Neves, a canção glorifica o inventor da aviação em versos desbragadamente ufanistas, que o público da época adorou ("A Europa curvou-se ante o Brasil / e clamou parabéns em meigo tom / brilhou lá no céu mais uma estrela / apareceu Santos Dumont").

Seu extenso repertório versava entre cançonetas, chulas, canções, lundus e modinhas. Ficou conhecido também como Palhaço Negro, Diamante Negro, Dudu das Neves e Crioulo Dudu.

Aproveitou a canção napolitana Vieni sul mare e fez a adaptação para glorificar a chegada do encouraçado Minas Gerais, que se juntaria à esquadra brasileira. Mais tarde, adulterada pelo povo, passou a celebrar tão somente o estado brasileiro e não mais ao navio.

Seus principais sucessos foram Bolim bolacho (1902), A conquista do ar (1903), Ó abre alas (1905), O Aquidabã (1906), Pega na chaleira (1906), Pelo buraco (1906), Baiana dos pastéis (1911), O meu boi morreu (1916) e Confessa meu bem (1919).

Morreu no dia 11 de novembro de 1919, no Rio de Janeiro, deixando uma grande lacuna no cancioneiro popular, preenchida, mais tarde, pelo talento de seu filho "Índio" Cândido das Neves.