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Curiosidades sobre Elano De Paula

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  • JOÃO SOARES NETO: Você quase morria com menos de um ano? ELANO PAULA: Naquela madrugada de 1924 quando o primogênito completara dez ou onze meses, debaixo de um lençol, sentado na lua de uma sela de um cavalo chamado Dengoso, “seu” Oliveira que ainda não colocara no mundo o segundo filho, galopava para tentar o impossível: galopar sob forte chuva do, Acarape Do Meio até Maranguape, em busca do Dr. João Augusto Bezerra para a produção de um milagre: salvar um garotinho que à época estava com uma bronco-pneumonia-dupla. Salvou-se o filho, perdeu-se o Dengoso.
  • Chocolate, falecido em 1989, também era comediante e atuou por muitos anos na Praça da Alegria, Elano Viana de Oliveira Paula é cearense de Maranguape, é escritor e um bem sucedido empresário. Mora, atualmente, em Fortaleza.
  • O samba, 'cANÇÃO DE AMOR' conta Chocolate, foi oferecido a Lúcio Alves que, de acordo com o compositor, “passou três meses e não deu nem pelota” e continuou: “até que uma cantora que trabalhava na Guanabara, Elizete Cardoso, começou a pegar no meu pé ‘Eu quero o samba... Eu quero o samba... ’ Eu dei o samba para ela... tinha que ser dela mesmo”. Desta forma, a música que foi recusada por Lúcio Alves, ironicamente, ficou imortalizada na voz da Divina. Hoje, faz parte do cancioneiro brasileiro. A música chegou a ser tema da Minissérie JK, da Rede Globo.
  • JOÃO SOARES NETO: Como viveu o Pós- Guerra(2ª.)? ELANO PAULA: Um pós-guerra de Polytecnica, de operador de áudio de uma emissora, Produtor de Programas, de Diretor de Broadcasting. Era a rádio Guanabara, tentando subir no “ranking” das grandes emissoras. A locução da Hora do Brasil. A direção da Mayrink Veiga que determinou a chamada época áurea do radio. A criação e produção do primeiro Long Play brasilerio: Ritmos Melódicos com Waldir Calmon e seu conjunto. A campanha de Cristiano Machado onde as esperanças do PSD entregaram à campanha os maiores oradores que o Brasil conhecera: Mello Viana, Acúcio Torres, Padre Medeiros Neto e outros , todos de estilos diferentes. A origem e desenvolvimento do verbo “cristianizar”.
  • Elano de Paula, irmão mais velho de Chico Anisio.
  • JOÃO SOARES NETO: D. Haydée, sua mãe, influenciou a sua vida? ELANO PAULA: Muito pouco de infância ao lado de Dona Haydée, após os oito anos. Pai e mãe correndo o mundo, três anos internos no Colégio Cearense, cinco anos internos no Colégio Militar, dois anos de Rio, dois anos de Bagé. Nos encontramos, durante os sete anos que precederam o meu casamento. Lupe, Lilia, Chico e Zelito foram bafejados pela sorte de tê-la por mais tempo. Grande mulher, grande categoria, extraordinária disciplinadora
  • Elano Viana de Oliveira Paula é cearense de Maranguape, é escritor e um bem sucedido empresário. Mora, atualmente, em Fortaleza.
  • O meu conhecimento com Elano Paula tem mais de 40 anos. Eu era um jovem que pensava saber muito. Ele, um homem maduro, que muito sabia. Trabalhamos juntos por cinco anos. Depois, disse para ele: preciso cuidar da minha vida, só. Ele respondeu: eu já sabia que isso iria acontecer. Elano é compositor, escritor, pintor, engenheiro civil, financista e uma das maiores cabeças nascidas no Ceará na década de 20 do século passado. Trocamos conversa de todos os tipos. Aqui, no Rio, São Luiz etc. Ele, imaginem, é o guru do Chico Anysio, seu irmão. Nesta entrevista, procurei desvendá-lo para um Ceará ainda sem memória de Gente que Conta, porque sabe contar. João Soares Neto, junho de 2009
  • JOÃO SOARES NETO: Como foi sua vida na arte que era o rádio de então? ELANO PAULA: Fiz concurso para Operador de Áudio e fui aprovado. Estaria garantida a vida de estudante. Trabalhava no horário da madrugada. E esse péssimo horário – meia noite às quatro – quem me empurrou na vida. Era uma madrugada insípida e o discotecário havia programado músicas que não eram do meu gosto. Mas que jeito? Oswaldo Rubim, um velho amigo paranaense ao microfone e eu, quase dormindo, lá na Técnica, colocando as bolachas para tocar. A certa altura Rubim passa mal, tem uma espécie de desmaio que me obrigou a chamar o porteiro para retirá-lo do estúdio e levá-lo para um hospital qualquer. Fiquei só. Sozinho, botando os discos e correndo para o microfone. Falava os anúncios, deixava um “buraco” de dez segundos e voltava, ofegante, à Técnica para soltar a música que anunciara.Quanto tem que ser... será. O dono da rádio, certamente àquela hora fazendo um programinha diferente do meu, escutou a minha voz e foi, no dia seguinte, saber que locutor seria aquele. E me escalou para os mais nobres horários da programação. Daí, seis meses depois, já com alguns programas produzidos, deixei a locução para assumir a direção de “broadcasting” da Guanabara. O salário deixou um pouco distante a saudade dos vencimentos de militar
  • ELANO PAULA: A idade militar chegou fora de hora. No Colégio havia seis “vestibulares por ano” e jubilava os que não passavam. CPOR mais o Universitário, ao mesmo tempo e uma aprovação para a Escola Politécnica do Rio de Janeiro. 80 vagas para dois mil candidatos e uma guerra beirando as nossas portas e todo mundo perfilado para saber seus destinos. A voz rouquenha do Coronel Ângelo Mendes de Morais – futuro prefeito carioca – gritou sem emoção: Tenente Elano Viana de Oliveira Paula classificado em Bagé-RGS, no Terceiro Regimento de Artlharia Montada. Se já não houvesse uma aprovação no vestibular, quem estaria escrevendo essas mal traçadas linhas seria um Coronel R1 do Exercito Brasileiro, de há muito reformado. Uma guerra toda na tropa servindo no RADC, ou como ajudante de ordens do General Brasiliano Americano Freire, ou como oficial orientador do grupo da Artilharia Ante-Aérea, em Deodoro e, para um honroso final feliz, como Instrutor do CPOR-RJ. Três estrelas nos ombros, dez ou doze elogios e uma carrada de punições maneiras, leves, só para constar nos Boletins, relembrando os tempos do CMC – Colégio Militar do Ceará. Bagé seria minha grande trincheira, que me deu a honra de ter sido professor de equitação do então Major Emílio Garrastazu Medici.
  • JOÃO SOARES NETO: Quando e como você saiu da água para a terra? ELANO PAULA: No dia primeiro de fevereiro de mil novecentos e vinte e três, embora eu ainda estivesse amarrado a um cordão, lembro-me perfeitamente que a luz da cidade apagou-se depois que permanecera acesa por quatro horas seguidas. Era o “ seu” Oliveirinha, nome carinhoso para os amigos de Francisco Anysio de Oliveira Paula, o Oliveira Paula ( da Luz), que estava desligando o motor que iluminava a cidade de Maranguape. Daí, oito anos depois, seu filho Chico Anysio – antes Francisco Anysio - ter nascido com o nome de Oliveirinha.
  • JOÃO SOARES NETO: E como a engenharia entrou em sua vida? ELANO PAULA: A Engenharia entrou cedo em minha vida. As férias todas eram passadas nas estradas e açudes onde - nessa altura - Coronel Oliveira Paula - fazia as sub-empreitadas dele.
  • JOÃO SOARES NETO: Vem o conflito entre a arte livre e a engenharia cartesiana, como resolveu? ELANO PAULA: Embora diplomado, não foi fácil optar pela engenharia. Por um lado um dos maiores salários do radio para arriscar um emprego numa cidade que ainda lembrava o Oliveira Paula ( da luz). Pisca às seis, acende às seis e cinco; pisca às nove e cinquenta e cinco e apaga às dez. As coisas corriam meio separadas. Fui artista para ganhar o pão que me levou à engenharia. Deixei a arte quando terminei o curso. Tive uma recaída em 1961 que durou três anos. Novamente abandonei a arte, já naquela altura a televisão. Voltei à engenharia e troquei de arte: passei a escrever, para me divertir, como você o faz com maestria. Quando deixei o Exército, as coisas não andavam muito tranqüilas para o meu lado. Além disso eu estava viciado com um salário bom. Não daria para um retorno às mesadas.
  • JOÃO SOARES NETO: As pessoas não vivem sós. Como apareceu D. Jenny em sua vida? ELANO PAULA: Quando eu estreei na Rádio Guanabara como Redator e Diretor de um programa, eu conheci Jane Gipsy. Foi no dia 13 de maio de 1949. Lembro-me bem porque o programa era homenagem aos escravos. O papel principal seria dela, já que era ela a “estrela da peça”. No dizer dos gaúchos do interior: contratada a recém. Havia na peça, a certa altura, uma gargalhada que competia à Jane dá-la. Ela não deu, eu reclamei e logo em seguida repeti a fala e soltei a gargalhada. Grosseiramente, disse: sabendo dar, dá. Ela então deu uma gargalhada, na repetição da fala, espetacular. Aí, sorriu pra mim e falou baixinho: eu não me preparei antes. Desculpa. A delicadeza dela obrigou-me a pedir desculpas. Jenny Yolanda de Patena Paula, seis meses depois, era a senhora Elano Paula por 49 anos e três meses, quando os que mandam a levaram, espero, para um bom lugar.
  • ELANO PAULA: O curso ginasial exigia o pré-técnico para quem quisesse ser engenheiro. E lá se vai o Ita levando o filho de menos de dezessete anos para o Rio de Janeiro.E numa espécie de homenagem póstuma cito o companheiro de viagem: Paulo Montenegro - o criador do IBOPE.

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