Na Contramão da história, a cem por hora, meu carro assim se vai, inevitável colisão, de frente com um caminhão que vem.
A minha lucidez onde andará?
Não vem pra me salvar?
Meu intelecto superior não evitará o inexorável fim?
Com a minha aura clara não via nada ficava sem saber, as perguntas ecoando e sem resposta, no silêncio ensurdecer.
Toda sabedoria do homem é loucura pra Deus, todo parâmetro humano será nada diante de Deus, inútil será tentar, o infinito com a razão explicar.
Só pude crer e entender depois que alguém, veio e me disse que era como o vento, que bate à pele, eu sinto e os meus olhos não veem.
Apenas as folhas e os galhos cantam seu lamento, nem tudo que existe eu tenho que tocar, pra então dizer que ele aqui está.
Em meio às tempestades, grandes ondas de um louco mar atroz. Quase me afogando em teorias, pude ouvir sua voz. Saí a tona pra respirar, deixei a sua mão me pegar.