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Versos Vegetarianos

Inquérito

Tomei um soco do sol na cara, meu despertador natural
Lavei o rosto, saí pra o quintal.
Cansei de telejornal de sangue, carne espirrando.
Pensei em fazer uns versos, vegetarianos.
Falei com Deus, meu nutricionista espiritual,
Que disse pra eu evitar, de me alimentar do mal.
Mas se a gente é o que come, quem não come nada some,
Por isso ninguém enxerga essa gente, que passa fome

Eu fiz meu rap virar cereal cerebral matinal.
Pra os muleque não morrer de desnutrição mental.
Trocar os programa enlatado, lotado de conservantes,
Por um instante, por ni brisant.
Conservantes, vim pra impregnar (rá) tipo cheiro de cheetos.
E atravessar as gerações, que nem os beatles
Só vou desistir, abortar minha missão.
Quando a educação aqui virar ostentação
Tudo vem do vem, tudo vem, do vento vem tudo
Vem do vento, do vento vem tudo...

- Loucura... Dieta lembra ditadura
Onde a gente tem que fechar a boca, ficar na moral
Todo regime radical faz mal:
Regime militar, alimentar, talibã
Drogaria, socorro imediato, cpf na nota
A farmácia é uma biqueira, com cnpj

Igual a mim aqui, quantos "fí" de mãe solteira
Que viu no rap ali, um pai pra vida inteira
Já engoli sapo de patrão, até umas hora
E por não querer ser robô, fui mandado embora
E eu fui embora, atrás do meu sonho: Viver da música
Cansei de dar meu talento pra aquela metalúrgica
Operário padrão dentro de uma fábrica
Quer saber o que eu fazia? Fazia lágrima
Deixei de ser o mecânico, da oficina cinzenta

E hoje uso as palavras como ferramenta.
Mas nem esquenta, são 30 primavera primo!
To firmão, de corpo e alma, honrando a missão.
Onde os abraços são falsos e o beijo é técnico, dá um saque!
As ruas tem mais câmeras do que o projac.
Cuidado irmão, não vai jogar tudo pra o alto.
Pra tirarem tua liberdade, isso que é assalto!
Tudo vem do vem, tudo vem, do vento vem tudo
Vem do vento, do vento vem tudo

Composição: Arnaldo Antunes / Inquérito





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