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Tropilha Maragata

Joca Martins

Na missioneira São Borja,
plantada lá na Fronteira,
tem uma tropilha guapa,

uma eguada caborteira
que corcoveia por nada;
mas oigaletê “porquera”!

Tem a picaça Dondoca
que sai escavando toca,
“chacoaiando” o calavera!

Na Tropilha Maragata
quem relinchar “veiaqueia”;
e o Júlio que é o proprietário

conhece a parada feia!
Vem de família campeira,
que não se enreda em maneia...

Dizem que foi batizado
no lombo de um aporreado
e até a sua vó gineteia!

Tem a gateada Katurra
que, na gurupa, é um tufão!
No lombo da Vanessinha

quem monta já está no chão!
O pintado Pega Leve...
E a zaina Tequila, então?

No basto oriental é certo!
E a Coral pra o basto aberto
mostra que tem vocação!

Tem a zaina Água Bonita
para animar o rodeio,
a colorada Doutora

que receita um tombo feio,
a gateada Castelhana
que atora o Rio Grande ao meio!

Não sei se acorda amanhã
quem pega a Camburetã
bufando que nem rio cheio!

No rincão dessa tropilha
ninguém respeita cancela,
até o petiço aguateiro

já sai batendo tigela,
as “véia” brigam de foice,
vaca do tambo atropela...

No galpão só tem bandido,
Por qualquer mal-entendido
voa um pela janela!

Composição: Fabrício Harden / Rodrigo Bauer





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