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Sempre Que Eu Canto Chove

Luis Kiari

Sempre que eu canto chove
Qual será a relação
Do meu canto com a água
Minha voz na imensidão?

Sempre que meu canto escorre
No quintal turvo a visão
Rio baixo e deságuo,
Choro seco no ser-tão

Chão rachado, rosto inteiro
A repressa, a prisão
Evapora, deixa marcas
Barro o peito em suspensão

É de viver e ser
Um ser intenso
Rio em seu curso busca o mar
Pra ser imenso

Há de chover
Um canto cheio
Para dar corpo e atravessar
Profundo leito

Sempre que eu canto chove
Qual será a relação?
Calo, ouço e me afogo
Gota a gota na canção

Se anoitece no terreiro
Pleno dia escuridão
Céu da boca se anuveia
Me desato grão em grão.

Composição: Luis Kiari / Matheus Von Kruger

Composição: Luis Carlos Ferreira de Oliveira/Matheus Von Kruger de Freitas





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