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Carreiro Vitorioso

Marcos Violeiro & Adalberto

No bairro onde moro tem uma mansão, e do casarão precisam de ver

A sua fachada lembra um palácio, com grades de aço e vidro fumè

Erguida no fundo de um grande terreno e não é pequeno o jardim da frente

Plantaram grama, grama boiadeira no meio a paineira cresceu imponente.


Tudo aquilo ali era tão comum, não tinha nenhum fato interessante

Aquela paineira linda e majestosa, pintava de rosa a grama verdejante

Um carro de boi curiosamente, enfeitava a frente daquela mansão

E um homem já velho de cabelos brancos, sentado num banco chamou-me atenção.


Perguntei ao velho porque é que foi, que um carro de boi foi parar ali

Ele então me disse eu já fui carreiro, nos tempos primeiros bem longe daqui

Com esse carro e a minha boiada, cortava as estradas daqueles sertões

Fui desbravador grande pioneiro, eu já fui carreiro de muitos patrões.


Os anos passam deixaram saudades, minha mocidade ficou tão distante

Os meus braços foram fortes como o aço e hoje não faço o que já fiz antes

Hoje não agüento erguer um cambão, essas minhas mãos não tem, mas destreza.

E ao ver meu carro num canto esquecido, fico aborrecido com tantas tristezas.


Quando me mudei aqui pra cidade, a grande saudade quase me matava

No carro de boi da minha boiada, aquelas estradas quando ele cantava

Se eu não ouço mais seu cantar dolente, nas tardes mais quentes lá do meu sertão

Eu trouxe meu carro pra perto de mim, aqui pro jardim da minha mansão.

Composição: Vieninho





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