Nasceu Maritza Maciel Teixeira em 17 de Janeiro de 1950, na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul, segunda filha do casal Sr. Hermes, Militar da Marinha Mercante e Dona Zélia, atriz, bailarina e produtora de TV. Gaúcha de nascimento, mas carioca de coração, quando ainda era recém-nascida sua família mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou os primeiros anos da infância.
Com a volta da família ao Sul, dessa vez para Curitiba, Paraná, a menina Maritza já muito ligada a música, adorava ouvir seus ídolos, as cantoras de sucesso da época, como Celly Campello e Lana Bittencourt, que inclusive gostava de imitar cantando o seu sucesso da época "Little darling".
Aos dez anos de idade, época em que sua mãe, usando o nome artístico de Patrícia Fabiani, era produtora de programas na TV Paranaense - Canal 12, Maritza decidiu ir participar do programa infantil "Tia Rosinha", nessa mesma emissora, escondida de sua família e na hora de escolher um nome artístico, não pensou duas vezes: Maritza Fabiani, o Fabiani por que era o segundo nome usado por sua mãe. Cantou e foi premiada com um par de sapatos, que mostrou para sua mãe quando chegou em casa. A partir daí não parou mais, participou do programa "Tia Rosinha e Vovô Morais" na TV Paranaense fazendo mímicas, logo depois passou a apresentar um programa só seu pelo mesmo Canal, o líder de audiência "Petit Show", onde cantava, atuava e fazia mímicas, aliás, as mímicas, que eram muito comuns na época, tornaram-se marca registrada no início da carreira de Maritza, as preferidas eram de Marilyn Monroe, Ella Fitzgerald, Brenda Lee, Petula Clark e Rita Pavone.
De volta ao Rio de Janeiro, fez sua primeira gravação no ano de 1964. Na gravadora Continental registrou compacto com as músicas "Ola-la" (gravada anteriormente pela cantora Dircinha Costa) e "Para vigo eu vou", versão de sua mãe Patrícia Fabiani para o clássico "Para vigo me voy", o disco acabou não tendo repercussão, mas logo depois o sucesso iria acontecer.
Ao se apresentar no programa "Hoje é dia de Rock" de Jair de Taumaturgo, na Rádio Mayrink Veiga, fazendo mímica de Rita Pavone com a música "Datemi un martello", foi assistida por Carlos Imperial que a apresentou a João Araújo, então diretor da gravadora Philips, pois a Companhia na época estava investindo em cantores de Música Jovem no seu Cast. Antes de assinar o contrato, ao ser questionada por João Araújo se ela cantava, a resposta da garota veio assertiva: "Canto e MUITO BEM!". Operação Trevo foi o nome da Campanha da Philips que lançou Maritza Fabiani ao lado de Ronnie Von, The Brazilian Bitles e Cláudio Faissal. A estreia de Maritza foi com "Não me deixe só" (versão de Paulo César Barros, seu então cunhado e baixista de Renato e Seus Blue Caps, para o sucesso "I only want to be with you", da britânica Dusty Springfield). Em pouco tempo "Não me deixe só" tornou-se um grande sucesso e Maritza passou a participar de todos os principais Programas da época: Jovem Guarda, Brotos no 13, O Pequeno Mundo de Ronnie Von, Programa José Messias, Programa Bibi Ferreira, Discoteca do Chacrinha, Festa do Bolinha e outros.
Ainda em 1966 integrou o primeiro de 4 volumes da Coletânea "Os Novos Reis do Iê Iê Iê" da Philips com o sucesso "Não me deixe só" e "Procuro um anjo" (de Paulo César Barros) e no final desse ano lançou o segundo sucesso: "Bang Bang" (de Sonny Bono, gravada originalmente por Cher como "My baby shot me down"), embora o arranjo gravado por Maritza tenha sido feito nos moldes da gravação da cantora francesa Sheila. O sucesso de "Bang Bang" com Maritza ultrapassou as fronteiras, chegando a emplacar até em outros países da América Latina.
Na sequência, em 1967 gravou "O telefone", autoria de Carlos Wallace e Fernando Adour. A música que contou com participação especial do cantor Márcio Greyck, saiu em Single (compacto simples) apenas para divulgação e acabou não sendo lançada no mercado, o disco foi cancelado e em seu lugar foi lançado o compacto com "Quero um beatle de presente" (outra versão para um sucesso de Dusty Springfield, "I'll try anything", assinada por Carlos Wallace) e no lado B "O leilão", autoria de José Messias e Anício Bichara.
Com a ótima repercussão de "Quero um beatle de presente", chegou a ser publicada nota em Revista da época que seria lançado seu primeiro LP, intitulado "No meu aniversário quero um beatle de presente", o que infelizmente nunca aconteceu, o máximo que a gravadora fez foi lançar um compacto duplo com os sucessos "Quero um beatle de presente" e "O leilão" e mais duas inéditas: "98 x 6" (versão de 98.6 do cantor inglês Keith) e "Cartinha", autoria de Horácio.
Após a decepção de não ter tido o LP prometido pela gravadora, ainda em 1967, Maritza lançou o último disco pela Companhia, o compacto simples com "Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones" (versão de "C'era un ragazzo che come me amava i Beatles e i Rolling Stones", sucesso do italiano Gianni Morandi) e "Que seria de mim sem você", assinada por Robert Livi e Marcos Moran. O disco não aconteceu, pois "Era um garoto que como eu..." já havia estourado no Brasil com o conjunto Os Incríveis, que lançou primeiro.
Em 1968 transferiu-se para a gravadora CBS e logo com o primeiro disco pela nova casa despontou com "Quero ter você perto de mim", autoria de Nenéo, que ganhou as paradas do Brasil e tornou-se o maior sucesso de sua carreira, sendo regravada por Roberto Carlos no ano seguinte. Isso lhe deu as credenciais para lançar no ano seguinte mais um compacto simples pela CBS com "Eu tenho um segredo", dos irmãos Antônio Marcos e Mário Marcos e "O que foi que eu fiz a você", de Luiz Ayrão, que infelizmente não teve a mesma repercussão do disco anterior.
No ano de 1970 gravou o último disco da carreira solo pelo selo CID com "A vida espera por nós dois" e "Estou a lhe esperar", ambas de autoria de Paulo César Barros. Dois anos depois, retomou a carreira artística formando com Cristina, sua irmã mais velha, a dupla Kris E Cristina. Contratadas pela RCA Victor, o primeiro disco da dupla com a música "Uma rosa com amor" (de Antônio Carlos e Jocafi), tema de abertura da novela homônima exibida pela TV Globo, foi um êxito retumbante.
A dupla passou a participar ativamente do programa musical "Globo de Ouro", na TV Globo e logo notadas por Chico Anysio, foram escolhidas por ele para gravar o tema de abertura de seu programa "Chico City" em 1973. Por essa época, Maritza conheceu o compositor e publicitário Heitor Valente, com quem se casaria em seguida e teria seus três filhos: Eduardo, Carlos Heitor e Marcella.
Kris E Cristina sacudiu o Brasil de ponta a ponta com "Isso é muito bom", de Chico Anysio e Arnaud Rodrigues, a música foi tema do humorístico da TV Globo por anos e contava com a participação da própria dupla cantando na abertura. Chegaram a participar do LP "Chico City" com as músicas "Isso é muito bom", "É domingo, é domingo" e "Dói que dói". Precursoras de um estilo que mais tarde seria explorado por cantoras como Elba Ramalho por exemplo, registraram em 1975 "Chá cutuba" e "Como tem Zé na Paraíba" e participaram da Coletânea Carnavalesca "Convocação Geral" em 1977 com a música "Bota a boca".
Em 1978, Maritza e Cristina juntaram-se aos dois irmãos mais novos: Marcus e Prêntice e formaram o grupo vocal Eles E Elas, que infelizmente lançou apenas dois compactos pelo selo Tapecar: "Passaraio" / "Fantasias" (1978) e "Recomeçar" (1979), as duas últimas assinadas por Prêntice. O grupo foi desfeito em seguida, pois Prêntice já alçava outros voos, investindo em sua carreira solo e também de compositor, consagrando-se nas décadas seguintes como intérprete em "Não diga nada", tema da novela "Ti ti ti", exibida em 1985 pela TV Globo e como compositor de inúmeros sucessos gravados por José Augusto, Xuxa, Tim Maia, Alcione, Wando, Trem da Alegria, Elymar Santos, The Fevers, Herva Doce e outros.
Retornando a Curitiba, em 1981, Kris E Cristina lançaram seu último disco, pelo selo paranaense Acorde, com a música "Tira gosto", autoria de Zé Renato, primo da dupla e integrante do grupo vocal Boca Livre, em parceria com Heitor Valente, então marido de Maritza, essa música contou ainda com a participação especial do Boca Livre. Já no lado B do disco registraram "Canto livre", obra-prima composta por Billy Blanco para homenagear os cantores.
Kris E Cristina ainda fariam participação especial no LP "Sai da frente Brasil" de Aldir Blanc e Maurício Tapajós, na música "A minha casa é sua (Pra juventude de Angola)", lançado pelo selo independente Saci em 1984. Participariam também do "Festival dos Festivais" em 1985 fazendo vocal junto com a cantora Cláudia Telles para o irmão Prêntice na música "Violão e voz". Ao mesmo tempo, Maritza diversificando as atividades, criou a confecção "Primeira Linha" e passou a "exportar" a produção para o Rio de Janeiro e São Paulo.
Em 1990, ainda em Curitiba, Maritza inaugurou com o sobrinho Paulinho César (filho da irmã Cristina com Paulo César Barros) o estúdio DataSom, onde passou a produzir inúmeros Jingles publicitários políticos.
Hoje, morando no Rio de Janeiro e viúva de Heitor Valente, Maritza é psicóloga formada pela PUC-PR e apresenta-se eventualmente relembrando seus sucessos dos anos 60 em alguns eventos, além de acompanhar a trajetória de sua filha, a atriz Marcella Valente.