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Couro De Boi

Palmeira

Conheço um velho ditado,

Que é do tempo da zagaia,

Diz que um pai trata dez filhos,

Mas dez filhos não trata um pai,

Sentindo o peso dos anos,

Sem podê mais trabalhar,

O velho peão estradeiro.



Com o seu filho foi morá,

E o rapais era casado,

E a mulher deu de implicar,

Você mande o velho embora,

Se não quiser que eu vá,

E o rapais coração duro,

Com o velhinho foi fala.



(Cantado)



Para o senhor se mudar,

Meu pai eu vim lhe pedir,

Hoje aqui da minha casa,

O senhor tem que sair,

Leva este couro de boi,

Que eu acabei de curtir,

P'ra lhe servir de coberta,

Aonde o senhor dormir.



O pobre velho calado,

Pegou o couro e saiu,

Seu neto de oito anos,

Que aquela cena assistiu,

Correu atrás do avô,

Seu paletó sacudiu,

Metade daquele couro,

Chorando ele pediu.



O velhinho comovido,

P'ra não ver o neto chorando,

Partiu o coro no meio,

E ao netinho foi lhe dando,

O menino chegou em casa,

Seu pai foi lhe perguntando,

P'ra que você qué esse couro,

Que seu avô ia levando.



E o menino respondeu,

Um dia vou me casar,

O senhor vai ficar velho,

E comigo vem mora,

Pode ser que aconteça,

De nóis não se combinar,

Esta metade de couro,

Vou dar pro senhor levar.

Composição: Diogo Mulero/Teddy Vieira Azevedo





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