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Brisa da Liberdade

Pedro Ortaça

Cantado:

Eu sempre fui meio arisco, cosquilhoso e caborteiro
No amor meio matreiro, não compro gato por lebre
Para o diabo que carregue crendices e assombrações
Não me troco por barões, sou dono do meu cantar
E por xucro no linguajar das rimas eu tiro um naco
E as vezes se não ataco também não deixo cruzar.

Falado:

Ninguém sufoca o tufão, ninguém ataca tormenta
Tanto puxa que rebenta, o julgo totalitário
Vai acabar o calvário, antevejo no horizonte
Nova consciência em reponte, oprimido vão se erguendo
E o poder vai compreendendo que esgotou a água da fonte

Cantado:

O amanhã de ontem é o hoje, portanto é aqui e agora
Diremos que esta na hora de produtor ser povoeiro
Lado a lado de parceiro defender esta querência
Já perdemos a paciência, vamos arregaçara s mangas
Já chega de puxar canga pra carregar o que é alheio
Precisamos por um freio e parar de pedir changa.

Falado:

Amante da liberdade, não sou de andar embretado;
Não nasci pra ser mandando, nem pra cantar ilusões
Que fiquem os maus patrão com seus gestos mal havidos;
Prefiro rumos perdidos dos desertados da sorte
Peleando de encontro a morte e eternamente esquecido

Cantado:

Se outros cantam proezas e belezes das cidades
Eu recorro a realidade que hoje vive o meu irmão
Sem um palmo de torrão a não ser quando é enterrado
É ele peão desgarrado nativo por ter tanto dono
É o campeiro e o colono que a própria lei da o relato
Seivas da terra de fato hoje pobre sem entonos

Falado:

Talvez mude o meu cantar quando se for a tristeza
Quando encontrar pão na mesa dos humildes e explorados
Quando sacrificados tenham seu lugar ao sol
E vejam no seu paiol fartura e dignidade
E ampliam-se a sociedade com o raiar de um novo dia
Quando a justiça der cria do ventre da liberdade.

Composição: Pedro Ortaça / Adalberto Jardim





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