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João Carreiro

Sergio Reis

O meu nome é João Carreiro conhecido no lugar
Eu vou contar minha história pra vocês não duvidar;
Já estou velho, estou cansado, já não posso carrear,
Mas o galo quando morre deixa as penas por sinal.
No tempo que eu fui carreiro muita figura eu fazia
Com doze juntas de boi, cabeçalho até a guia,
João carreiro era falado, conhecido em demasia
Quando ele entrava na vila, o povo todo sabia!


Com as dozes juntas de boi caminhava sossegado,
O carro do João Carreiro tinha um cantar apaixonado
Distância de légua e meia quando subia o cerrado
Os dois cocões rangedor fazia um dueto chorado.
Parelha do cabeçalho: Beija-Flor e Manzambinho
Parelha de boi de guia: Fortaleza e caboclinho,
Na subida caminhava, Riachão e Riachinho,

Vamos embora Sereno, parelha de Passarinho!


No riacho da Graúna quando meu carro parava
Os olhos de uma cabocla meu coração cutucava,
Na volta lá da cidade de novo por lá passava
Os olhos desse malvada de novo me provocava!
Assim fiquemos um tempão, cinco mês fiquemos assim,
Eu com receio dela, e ela com medo de mim .
Um dia criei coragem, falei com ela por fim
Essa cabocla chamava Corina Flor do Alecrim!

O alecrim não tem espinho e é danado pra cheirar
E mesmo não tendo espinho, alecrim pode magoar,
Corina Flor do Alecrim só soube me judiar,
Me prometeu mil venturas e só me trouxe penar
Só tive um amor na vida, tristeza veio me dar
Fiquei velho aporreado já não posso carrear.
Já contei a minha história antes de outro contar
Onde meu carro passou ficou rastro por sinal!

Composição: Raul Montes Torres





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