Por isso, impropriamente, há quem até afirme que a música Na Baixa do Sapateiro tenha sido de autoria de Waldir Azevedo, o que é uma inverdade, embora ele tenha sido um dos melhores intérpretes desta música. Todavia, uma coisa é certa: Waldir fez inovações extraordinárias na música, arranjou-a de tal forma que lhe deu um pouco de seu talento. Fez seguidores. Nossos músicos aprenderam e muito com a sua genialidade, seja como compositor, seja como instrumentista.
Um dos momentos mais lindos, como instrumentista, porém, foi sua interpretação, gravada em disco de vinil, pela Continental, da maravilhosa Na Baixa do Sapateiro, de autoria de Ary Barroso; nela fez uso de um assobiador, no lugar do refrão “Ai, Bahia, ai, ai! Bahia que não me sai do pensamento, ai, ai! “ e, na sua maior parte, deu grande rapidez à execução da melodia, destacando bastante, em clímax, o dedilhar de acordes no seu incrível cavaquinho, para, quase no final, alterná-la em ritmo mais lento, como um samba canção e, de repente, retornar ao ritmo quente, em cadência sublime, usando mais uma vez seu cavaquinho, transformando-o em sons divinos. Um show de interpretação!
A gravação de Waldir Azevedo foi o ingrediente que faltava para Na Baixa do Sapateiro tornar-se coqueluche dos regionais, fazendo o cavaquinho sambar como nunca, pois sua execução – que pode ser ouvida no site do Instituto Moreira Salles – é extraordinariamente bonita, dando uma roupagem linda demais para essa música, que é uma homenagem à Bahia e uma das mais bonitas daquele grande acervo musical do Brasil.
Muito se fala de Waldir Azevedo como compositor. No entanto, é importante deixar claro que foi também um dos maiores instrumentistas que tivemos. O mundo se maravilhava, por onde ele passava, exibindo seu cavaquinho, com apenas quatro cordas, tirando sons inimagináveis, inacreditáveis, que mexiam com o entusiasmo de todos. Estupefatos e surpresos, este músico fantástico precisava explicar o que era aquele instrumento tão estranho, o cavaquinho.
Waldir Azevedo, instrumentista e compositor, nasceu no Rio de Janeiro/RJ em 27/1/1923 e faleceu em São Paulo em 21/9/1980. Nascido no bairro da Piedade e criado no Engenho Novo, aos sete anos comprou uma flauta transversal com o dinheiro obtido...