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Cavalo Velho

Baitaca

Eu vou lhes contar em versos o que ninguém se deu conta
Pra que entre de ponta a ponta na alma de quem compreende
Principalmente os que vendem depois de velho cansado
Sangrando o lombo pisado daquele que lhe defende

Eu me refiro ao cavalo que neste mundo moderno
Depois de velho invernam vão vender pro saladeiro
Ambição pelo dinheiro faz com que a alma apodreça
E o sentimento escureça traindo o fiel companheiro

Falo eu porque aqui mesmo um carroceiro vizinho
Criou cinco ou seis negrinho no lombo de um alazão
Puxando inverno e verão tijolo, pedra e areia
E levando em lugar de aveia, só da-lhe sal por ração

Os anos foram passando algo que tudo consome
A fraqueza, miséria e fome lhe transformou em carcaça
E não é que por desgraça um circo de diversão
Com tigre, pantera e leão armou-se abaixo da praça

A frente tinha uma placa escrita com letra-mão
Cavalo, burros e cão compra e se paga no ato
Não é que aquele mulato mais fera que o próprio leão
Vendeu o pobre alazão por vinte mil, o ingrato

E hoje vê-lo pela rua se apoiando num bastão
Já velho sem ilusão, cansado sem serventia
Lembrando da covardia, do seu gesto desumano
Por trair quem tantos anos lhe deu o pão de cada dia.

Composição: Francisco Vargas





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