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Doha

Darvin

Perdido no tempo
Ouvindo seu silêncio
Que me mata por dentro
olhando aquela nossa velha mesa de centro
que rangia quando a luz abandonava a sala

Rainha do espaço,
coração de ferro
e os nervos de aço
eu aqui descalço tropeçando em cadarços
procurando as portas do meu labirinto

A gente já viu tanto
bochechas rosadas e aos prantos
Garrafas de whisky na praia
constelações, na noite gelada
pela brisa do mar
palavras cruzadas, capital do Qtar
só mais quatro letras é difícil lembrar
que a tinta da sua pele já apagou meu nome

Fugindo aos berros, sem fazer barulho
desse meu cemitério de amor e orgulho
confissão, caso sério, gritos e sussuros pela noite a fora

A gente viu de tudo
da roupa rasgada ao veludo
bonecos de cera, fantasmas e recordações
efeito borboleta, poderoso chefão ,
ciganas nas ruas lendo na sua mão
que o futuro é longo e que nada é em vão ,
revirando as cartas pra encontrar respostas


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