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Recuerdos da 28

João Luiz Corrêa

Essa música, com certeza, tem a cara de Santiago. Recuerdos da 28 é um milongaço véio' que chega aí. Pra dançar assim, pra fazer a festa

De vez em quando, quando boto a mão nos cobre'
Não existe China pobre, nem garçom de cara feia
Eu sou de longe, d'onde chove e não goteia
Não tenho medo de potro, nem macho que compadreia

Boleio a perna, vou direto pro retoço
Quanto mais quente o alvoroço, muito mais me sinto afoito
E o chinaredo que, de muito, me conhece
Sabe que pedindo desce, meu facão na 28

Remancheio no boteco ali nos trilho'
Enquanto, no bebedouro, mato a sede do Tordilho
Ouço mugindo o barulho da cordeona
E a velha porca rabona retoçando no salão
Quem nunca falta é um índio curto e grosso
De apelido Pescoço da rabona o querendão

Entro na sala no meio da confusão
Fico meio atarantado que nem cusco em procissão
Quase sempre, chego assim, meio com sede
Quebro o meu chapéu na testa de beijar santo em parede

E, num relance, se eu não vejo alguém de farda, eu grito
Me serve um liso daquela que mata o guarda!
E, num relance, se eu não vejo alguém de farda, eu grito
Me serve um liso daquela que mata o guarda!

Guardo o trabuco empanturrado de bala
Meu facão, chapéu e pala e, com licença, vou dançar
Nesse fandango, levo a guaiaca recheada
Danço com a melhor China, que me importa lhe pagar?

O meu cavalo, deixo atado no palanque
Só não quero que ele manque quando terminar a farra
A milicada sempre vem fora de hora
Mas eu saio porta afora, só quero ver quem me agarra

Desde piazito, a polícia não espero
Se estoura a reboldosa, me tapo de quero-quero
Desde piazito, a polícia não espero
Se estoura a reboldosa me tapo de quero-quero

Entro na sala no meio da confusão
Fico meio atarantado que nem cusco em procissão
Quase sempre, chego assim, meio com sede
Quebro o meu chapéu na testa de beijar santo em parede

E, num relance, se eu não vejo alguém de farda, eu grito
Me serve um liso daquela que mata o guarda!
E, num relance, se eu não vejo alguém de farda, eu grito
Me serve um liso daquela que mata o guarda!

Chora, cordeona

Entro na sala no meio da confusão
Fico meio atarantado que nem cusco em procissão
Quase sempre, chego assim, meio com sede
Quebro o meu chapéu na testa de beijar santo em parede

E, num relance, se eu não vejo alguém de farda, eu grito
Me serve um liso daquela que mata o guarda!
E, num relance, se eu não vejo alguém de farda, eu grito
Me serve um liso daquela que mata o guarda!
E, num relance, se eu não vejo alguém de farda

Parceiro, eu quero ouvir um sapucay de vocês

Eu grito

Cadê o sapucay da indiada de Santiago?

Me serve um liso daquela que mata o guarda!

Composição: Francisco Alves / Kenelmo Alves





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