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Costelando a Serafina

Edinho Perlin

Boleei a perna
Lá no rancho da Crispina
Nega flor de cafetina
Professora aposentada
Pra tomar mate
Me encharcar de cangebrina
Costelando a Serafina
Lá na sombra da ramada

Falo da tipa
Filha da velha Maruca
Preta buena de garupa
Sempre de poncho emalado
Potrinha nova
Que tem cosca no rabicho
E anda louca por cambicho
De algum catre empelegado

Tem bate-coxa
Na bailanta do Tio Zimba
E hoje eu gasto a tabatinga
Galopeando essa potranca
Vou soltá a boca
Numa marca bem ladina
Co'a negrinha Serafina
Agarradita pelas anca

(Ai dê-lhe xixo
Dê-lhe pata, dê-lhe marca
Quando saio pra fuzarca
Só uma noite não me chega
Neste tranquito
De tirar gado do mato
Vou bancar o carrapato
Nas costelas dessa negra)

Meu pingo baio
Troca orelha me bombeando
Impaciente, adivinhando
Que o chinedo tá fervendo
Lá na baixada
Diz que o xixo é de primeira
Mal a tarde se ajoelha
E a indiada tá metendo

O baile engrossa
E um cochicho lá no canto
"Diz comadre, eu te garanto
Que hoje a negra desencalha"
A gaita segue
Conversando com o pandeiro
E eu que sou meio roceiro
Vou arrebentá a cangalha

Atrás do cerro
O sol já vem se espreguiçando
E o candeeiro já mermando
Tá querendo se apagar
Salta minha preta
Te esgarrancha na garupa
Me desculpa sinhá Maruca
Que hoje a cobra vai fumar

(Ai dê-lhe xixo
Dê-lhe pata, dê-lhe marca
Quando saio pra fuzarca
Só uma noite não me chega
Neste tranquito
De tirar gado do mato
Vou bancar o carrapato
Nas costelas dessa negra)


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