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A Cantiga Dos Arreios

Walther Morais

Duas gargantas de aço da minha filosofia
São as rosetas da espora milongueando de porfia
E a cantiga mais gaúcha por poucas rimas que tenha
É o relincho do cavalo quando o galpão se desenha
Até meu basto sovado conhecedor das toadas
Vive cantando pra mim o que aprendeu nas tropeadas.

E quantas vezes a lua me viu cantando no campo
Com a barbela do freio cantando pros pirilampos
Em outras a estrela Dalva que é mansa nas madrugadas
Soltava rimas de prata da garganta iluminada.

Se o bronze cantou mais alto pela garganta que tinha
Foi por andar no pescoço de tanta água madrinha
E as quatro patas ligeiras que também sabem ser calma
Cantam pra quem escutá-las com os ouvidos da alma
E esta cantiga que trago na voz de parar rodeio
Eu aprendi nas estâncias, escutando meus arreios.

Composição: Osmar Gralouv Proenca/Valter Antonio de Souza





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